Fazer Direito? Ou fazer tudo errado?
Espero que essa sensação seja comum a todos os primeiro-anistas ingressos na universidade. Sensação ruim, que envolve angústia, leve decepção, um pouco de desânimo e uma preocupação constante com o futuro.
É assim: primeiro você cursa 8 anos de ensino fundamental. Depois mais 3 anos de ensino médio e passa no vestibular, etapa muito temida por todos. Não considero algo tão difícil, levando em consideração toda a base de conhecimentos e a formação educacional apreendida nas bancas escolares.
Bom, daí sua vida passa por uma guinada tremenda, porque você percebe que não pode tratar o aprendizado de forma tranquila. Afinal de contas, a universidade é o início da carreira profissional, o que exige seriedade, compromisso e paixão pelo que se estuda.
E é essa paixão pelo objeto de estudo que tem sido uma grande preocupação para mim.
Escolhi o Direito. Escolhi o Direito! Será que foi algo acertado? Caso alguém me perguntasse o porque dessa escolha, diria que almejo o poder, esse poder ou faculdade de regular a vida, ajudar as pessoas nesse aspecto, trazer maior efetividade às normas do mundo jurídico, dominar os mecanismos de aplicação do poder. Além disso o Direito tem estreito relacionamento com a psicologia, área do conhecimento que me instiga bastante a curiosidade.
Mas às vezes desanimo tão fortemente desses ideais... Sempre tive e ainda tenho ótimo raciocínio lógico-matemático. Participei e ganhei muitas medalhas em olimpíadas de matemática, química e física. Gosto muito de química e a biologia me fascina por desvendar os pequenos mistérios da vida.
Tenho um certo interesse mórbido pelo corpo humano e seu funcionamento. Por isso cheguei a pensar em Medicina (e ainda penso!).
Então volto a pensar no Direito, com toda sua pompa e cerimoniosidade.
O Direito fascina sim... Eu seria hipócrita se não reconhecesse isso. Mas ainda não me vejo apaixonada pelo seu conteúdo. Assim, volto para o início dessa postagem, lembrando da angústia que essa não compatibilização com o Direito me traz; e da preocupação com meu futuro.
Afinal de contas, é com isso que irei trabalhar até o fim da minha vida. Se não gostar, se não me apaixonar por isso, tenho pena de mim, pois será uma vida inteira desperdiçada tristemente com um trabalho que não me realizará profissionalmente, como um fardo.
Gostaria de poder me conceder férias de 6 meses para poder fazer leituras, as mais variadas possíveis a fim de descobrir minha verdadeira vocação. Temo chegar aos meus 50, 60 anos e dizer: ufa, me livrei desse trabalho, dessa prisão, desse fardo, que cerceou minha felicidade e sugou minhas energias e minha juventude. E, a essa altura, o que posso fazer para mudar a realidade? ... ! ... Só esperar a implacável das certezas.
"[...]Quero um dia para chorar
Mas a vida passa tão depressa[...]"
Cecília Meireles.