sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Direito ou esquerdo?

Fazer Direito? Ou fazer tudo errado?

Espero que essa sensação seja comum a todos os primeiro-anistas ingressos na universidade. Sensação ruim, que envolve angústia, leve decepção, um pouco de desânimo e uma preocupação constante com o futuro.

É assim: primeiro você cursa 8 anos de ensino fundamental. Depois mais 3 anos de ensino médio e passa no vestibular, etapa muito temida por todos. Não considero algo tão difícil, levando em consideração toda a base de conhecimentos e a formação educacional apreendida nas bancas escolares.

Bom, daí sua vida passa por uma guinada tremenda, porque você percebe que não pode tratar o aprendizado de forma tranquila. Afinal de contas, a universidade é o início da carreira profissional, o que exige seriedade, compromisso e paixão pelo que se estuda.

E é essa paixão pelo objeto de estudo que tem sido uma grande preocupação para mim.

Escolhi o Direito. Escolhi o Direito! Será que foi algo acertado? Caso alguém me perguntasse o porque dessa escolha, diria que almejo o poder, esse poder ou faculdade de regular a vida, ajudar as pessoas nesse aspecto, trazer maior efetividade às normas do mundo jurídico, dominar os mecanismos de aplicação do poder. Além disso o Direito tem estreito relacionamento com a psicologia, área do conhecimento que me instiga bastante a curiosidade.

Mas às vezes desanimo tão fortemente desses ideais... Sempre tive e ainda tenho ótimo raciocínio lógico-matemático. Participei e ganhei muitas medalhas em olimpíadas de matemática, química e física. Gosto muito de química e a biologia me fascina por desvendar os pequenos mistérios da vida.

Tenho um certo interesse mórbido pelo corpo humano e seu funcionamento. Por isso cheguei a pensar em Medicina (e ainda penso!).

Então volto a pensar no Direito, com toda sua pompa e cerimoniosidade.

O Direito fascina sim... Eu seria hipócrita se não reconhecesse isso. Mas ainda não me vejo apaixonada pelo seu conteúdo. Assim, volto para o início dessa postagem, lembrando da angústia que essa não compatibilização com o Direito me traz; e da preocupação com meu futuro.

Afinal de contas, é com isso que irei trabalhar até o fim da minha vida. Se não gostar, se não me apaixonar por isso, tenho pena de mim, pois será uma vida inteira desperdiçada tristemente com um trabalho que não me realizará profissionalmente, como um fardo.

Gostaria de poder me conceder férias de 6 meses para poder fazer leituras, as mais variadas possíveis a fim de descobrir minha verdadeira vocação. Temo chegar aos meus 50, 60 anos e dizer: ufa, me livrei desse trabalho, dessa prisão, desse fardo, que cerceou minha felicidade e sugou minhas energias e minha juventude. E, a essa altura, o que posso fazer para mudar a realidade? ... ! ... Só esperar a implacável das certezas.

"[...]Quero um dia para chorar
Mas a vida passa tão depressa[...]"
Cecília Meireles.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Vida e morte... E o aprendizado da frugalidade.

A vida, esta ardilosa, me fascina pela sua potencialidade e pela sua efemeridade.

Não são poucas as vezes que me encontro pensando sobre o que é a vida, qual o seu valor, seu sentido, o porquê da indisponibilidade do direito à ela.

Recentemente, porém, passei por uma situação limítrofe que me deixou um tanto estarrecida e perplexa com relação à fragilidade do ser humano frente às vicissitudes da vida.

Descobri, de forma inesperada, que um amigo possui uma doença rara, que, caso não tratada, leva à pior morte em 5 meses. (Para os curiosos, procurem no google por granulomatose de wegener.)

Chorei sim, vi-o muito mal antes da internação... medo de perder uma pessoa tão querida, medo da morte, medo de nossa vulnerabilidade.

Acho que não consigo lidar com essa única certeza da vida. Durante esse contratempo, porém, encontrei uma mensagem no facebook (anexada aqui) que me confortou um pouco.

É uma mensagem que sintetiza o caráter contraditório da vida, força positiva mais nobre que nos move, nos motiva, nos estimula, nos impulsiona e nos sensibiliza, mesmo que de maneira sutil.

Sim, sutileza é uma marca importante da vida, pois por enredar-se e permear todos os âmbitos do dia a dia, de modo, pode-se dizer, por vezes imperceptível, apenas somos capazes de valorar sua importância na ausência de suas manifestações fáticas.

É devido a isso que busco, cada dia mais, me integrar à natureza ao meu redor, me autoconhecer, definir claramente meus objetivos de vida e me melhorar como ser humano... levar uma vida mais frugal.

Longa jornada essa, não é!?! Mas, como traz Jack Kerouac em seu livro "On the road": "I wanted to take off (...) somewhere along the line the pearl would be handed to me".

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Feeling like Mr. Mersault...

Já faz mais de um mês que entrei aqui para deixar algum devaneio.

Foi um período muito corrido para mim, pois tive de organizar documentação, roupas e a mala a fim de estar realmente preparada para viajar para os States.

Em outro post me dedico a falar sobre a experiência do Programa Jovens Embaixadores.

O que quero registrar aqui é que acabei de reler o livro O Estrangeiro de Albert Camus e, mais uma vez, me sinto mal com essa leitura.

É incrível e inquietante o vazio, a falta de propósito de vida e a ninguendade do personagem Mr. Mersault.

Tenho medo de passar minha vida que nem esse personagem.

E essa re-leitura ainda me deixou mais chocada, por causa de uma outra leitura paralela (On Managing Yourself - comprado em Miami) que também alerta para nossa postura frente aos desafios da vida.

Preciso refletir, preciso ser mais focada, preciso descobrir meu papel nesse mundo. Não posso ser mais uma nesse mundo.

Faz-se necessário ser a diferença.

Obrigada, até!


"[...]Quero um dia para chorarMas a vida passa tão depressa[...]"                              Cecília Meireles